Mandando pólvora – Jogos de tiro

A maior parte da população mundial deseja que o mundo entre em paz, e que as guerras sejam somente restritas ao passado, sem que nada possa influenciar as pessoas desse mundo. A violência deve ser descartada e somente a diplomacia deve ser usada para conquistar direitos e até mesmo territórios. Guerras são a maior expressão da animalidade e ignorância humana. Mas temos que admitir, no PC e no videogame elas são muito legais.

Deve ser característica do nosso nível moral gostar de controlar personagens e encarná-los dentro de uma guerra. Os conflitos do passado como a primeira e segunda guerra mundial, as guerras medievais (como as cruzadas), a guerra do Afeganistão, do Iraque, todas elas são maravilhosas se vistas no cenário virtual. Inicialmente porque todas as personagens assassinadas não passam de bits e porque não existe caos; se seu personagem morrrer, basta reiniciar a missão que tudo recomeçará como esteve antes.

Mas os jogos de primeira pessoa que envolvem conflitos armados não são representados somente pelos jogos de guerra; uma das franquias que mais arrecadou dinheiro no mercado de jogos e muitos fiéis no Brasil foi o Counter-strike (1999), jogo no qual os participantes controlam terroristas e contra-terroristas, em batalhas que variam de estágio para estágio, de mapa para mapa. Outros jogos mais antigos como Doom (1993) deram início a uma geração de francos atiradores e guerrilheiros de plantão.

Atualmente, as empresas que fabricam consoles tem dado uma ênfase a esse tipo de jogo, devido a sua variabilidade e a conectividade que as redes online propiciam aos jogadores. Conectados pela web e com o gatilho na mão, os jogadores disputam as guerras em variados campos de batalha, que variam de guerras modernas a guerras temáticas (como às mundiais). O jogo Call of Duty: modern war fire 3 (2011), jogo mais recente lançado para os consoles, já conquistou milhões de fãs ao redor do mundo – baseado nas perspectivas reais e com gráficos surpreendentes  (que variam de perfeição baseado na televisão do jogador e do videogame a ser utilizado).

Não se restringindo somente aos conflitos virtuais, os jogos ainda disponibilizam um modo arcade, no qual a personagem a ser controlada desempenha importantes funções para o fechamento do jogo. Existe também a probabilidade do jogador controlar mais de uma personagem, em pontos distintos do mapa. Uma hora, a missão pode ser reconquistar um território tomado pelo inimigo; em determinado momento, desarmar uma base militar que seria usada para atacar um acampamento militar logo à frente.

O gênero guerra está mais do que encrustado em nossa civilização, sendo refletido claramente pelo nosso passado. Com filmes e documentários a mostra, que representam com clareza a dor e sofrimento de uma guerra, desejamos incessantemente que os conflitos armados se extingam para sempre, havendo somente a paz e a união que tanto desejamos; mas, enquanto isso não é possível, nos resta torcer para que as nossas munições virtuais não acabem e que nós possamos finalmente nos transformar em heróis de guerra e reconquistar a honra há tanto perdida no passado.

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